Queridos e amados familiares
É com enorme gratidão que postarei aqui o meu eterno carinho a todos vocês que nos apoiaram e confortaram diante da dependência química do nosso filho Marcus. Em especial abro um parêntese maior para agradecer o amparo e atenção extremamente amorosa de Silvana e Richard, que perderam trabalho e enfrentaram transito para nos acompanhar, com extrema paciência, atenção, preocupação e carinho, nunca terei como pagar como já estou depois dos cinqüenta precisará de mais cinqüenta. Amados obrigada, sei que um dia o Marcus também agradecerá. Em fim família como coloquei todos em oração por nos venho aqui hoje para dizer que o Marcus esta internado há quinze dias por segurança só dou endereço e local por e-mail. O assunto dependência química é bem divulgado nos dias de hoje. É muito raro uma família, na sociedade em que vivemos hoje, não ter problemas com as drogas. Quando falo drogas, não me refiro somente ao crack, cocaína, maconha, mas incluímos também o cigarro de tabaco e a bebida alcoólica, pois essas duas últimas matam mais do que as outras drogas. É fácil falar sobre drogas e seus efeitos e até dar dicas e opiniões, mas quando o problema das drogas invade nossa casa ai tudo fica diferente. Quando uma família descobre que um de seus membros está envolvido com drogas “a casa cai” e “perdemos o chão em que pisamos”. Enfim, ficamos totalmente desorientados e sem uma direção a seguir. O primeiro passo é você conhecer, se aprofundar sobre esse assunto. Quer seja através de revistas; jornais, televisão, internet ou qualquer outro meio de comunicação. Como posso ser professor de português se eu não sei ler e escrever? Como vou ensinar do que não tenho conhecimento? Esse mesmo princípio aplicamos nesse primeiro passo. A sua ajuda será mais eficaz, quando você conhecer mais sobre drogas e seus efeitos. Aprenderá também que a Dependência Química é uma doença e essa doença precisa de tratamento. A família deve ser o principal interessado em saber que o seu familiar dependente não pode parar sozinho de usar drogas, pois a Dependência Química é uma doença e precisa ser tratada. A família tende a negar a gravidade do problema da Dependência Química não querendo aceitar a realidade dos fatos. Muitas vezes a realidade dói e machuca. O problema, além de estar no Dependente Químico, também está na droga que ele consome e o torna numa pessoa que ele não é.O relacionamento familiar se desgasta, porque a família pensa que é só ele determinar que amanhã ele vá parar de usar drogas e estará tudo resolvido, ele será curado e a paz voltará a reinar no lar. Somente quando passamos a entender que todos os esforços que fazemos para ajudar o D.Q, de nada servem, pois a cura não vem e nunca virá de nossos esforços, mas somente da intervenção divina e profissionais competentes. Hoje entendo que na doença da dependência química não tem culpado, somente responsável. O D.Q não pediu para ser dependente de drogas e tão pouco sonhou ou desejou essa vida que leva, atormentando a si próprio e a sua família. Quem bebe ou fuma pela primeira vez, não saberá se lá na frente à doença da dependência o atingirá. Posso dizer que a família sofre mais do que o D.Q, pois no sofrimento o D.Q usa droga para aliviá-lo e a família enfrenta todo o problema de “cara limpa”. Assumimos a dor e; a culpa (uma culpa que não deveria carregar), vergonha e por fim, o relacionamento fica “quebrado”. Porque todos adoecem e se não fossem o apoio de todos os e mais carinhosos e animadores, telefonemas, vibrações, estaria despedaçada. No nosso caso a saída dele foi dolorosa e sofredora. Dói muito. Mas hoje todas as minhas incertezas, os medos, transformaram em segurança. Mesmo estando em um hospital dormirei tranqüila porque sei onde meu filho está. E não poderia estar em um lugar melhor, sei que esta sendo tratado com dignidade, respeito e carinho. Embora ainda esteja resistente sinto dentro deste coração esmagado que ele aceitará e conscientizará que sozinho ou com a gente ele não conseguiria chegar até onde já chegou mesmo revoltado. Tenho consciência que será uma pessoa doente eternamente tanto quanto um diabético, um hipertenso, um cardíaco. Mas todos os doentes crônicos estão em eterna vigilância e ele conseguirá com meu apoio, apoio de todos vocês, apoio da família, do pai e dos irmãos. A única coisa que peço no momento é que Jesus não se atreva a me abandonar em momento algum porque sem ele e sem vocês não agüentaríamos.
Obrigada, obrigada, obrigada.
Sylvinha






