Aí a diretoria do Pio XII, tradicional colégio da capital, resolveu participar das comemorações da Semana Santa. Estamos em Brasília no final dos anos 70. Após exaustivos encontros, decidiu-se que a escolha do ator seria pela indicação dos melhores alunos da entidade. Claro, Maurinho foi um dos primeiros nomes lembrados, pelo invejável currículo e desempenho nas provas que o colocavam sempre entre os primeiros setecentos melhores alunos, ficava sempre ali setecentos e um, dois e até mesmo abaixo disso, quando deixava de ver muita sessão da tarde e metia bronca nos cadernos.
Talento promissor, mas ainda sem muita experiência, foi escalado para representar um imperador que tinha poucas falas, na realidade uma única fala, mas a mais importante de todas, quando os plebeus esperavam o veredito definitivo e ele mandava: CRUCIFIQUEM-NO.
Pronto, o homem tinha a chave do cofre, o martelo do tribunal, o apito do juiz no final da copa do mundo, ou seja, o cara estava lascado. Ok, mãos à obra para compor o personagem e decorar a fala...confiscamos o único lençol branco de casal que papai tinha e pegamos as cordas das cortinas do bom e velho apartamento 307 do bloco I da 405 sul (poente...) o ator se concentrava e caminhava pelo corredor despencando crucifiquem-no e crucifiquem-no em todo o mundo, a semana toda, mas a coisa estava ficando intensa...
Dia da apresentação, palco montado ao lado da catedral, na esplanada dos ministérios, clima dramático, concentração total, público em catarse e chega a hora da fala mais importante da representação e nosso ator manda brasa sem piedade: CRUFICIQUEM-NO...
Para encurtar a estória, a única saída que o arcebispo encontrou para dispersar a multidão errante e furiosa que ameaça invadir o palco, foi cancelar o restante das comemorações da semana santa.
Publicado por Marcinho
Comentário de Karinne: Ainda bem primo que você nào crucificou Jesus, se saiu bem com o cruficiquem rsrs

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